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quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Ócio!


Fatos entrelaçados
Amarrados numa consciência que ainda dorme tranquila
Rastros de sonhos
Dopados pela angústia fantasiada de dopamina.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Corpo!

Máquina feita de carne viva, sangue quente e energia ás vezes muito quente, outras vezes fria. Massa que me carrega e me desloca para qualquer que seja o lugar, não importa distância, pernas curtas que se alongam conforme a necessidade.
Caixa que emite sons, grita de dor e expele tudo de irrelevante no final do dia. Não armazena coisa ruim, vive do bom e do essencial. Contorce-se quando sente dor, mas segura firme até cessar.
No andar de cima trava lutas diárias entre uma emoção e outra, obrigando o andar de baixo se meter em situações irresponsáveis.
O apego e a curvatura dos braços se aventuram em abraços contidos, disformes. O contato se mistura com a sensação de viver, o suor escorre e mostra que cada parte está no seu lugar, funcionando como deve.
Lábios de cima se mexem na leveza dos sons, a inquietude da língua apara a insensatez das cordas vocais, um misto de firulas que acompanham um simples diálogo.
Esse corpo emana odores, se encarrega de monitorar o que de necessário entra nele. Algumas coisas entram e sai, o que fica já é visto como intruso, o corpo reage. Ele sabe o que está ali só de passagem.
Buracos para sentir cheiro, buraco para sentir prazer, buraco para defecar, buraco pra ouvir e pra lamentar. Nosso corpo é furado e cada furo complementa essa máquina que anda, estraga, cai, chora, machuca, derruba, se enfurece, ri , destrói...
 Lábios sensíveis, que fazem parte da dança do corpo, do contato e afago matinal, da sensibilidade contida em torno de todo o órgão genital. Parceiros do prazer envolvido em apenas uma das partes que gritam.
E se contorcem de prazer!
Tantas vezes se perdem no sentir, uma das válvulas de escape que o corpo possui. Peitos que choram e faz de seu choro alimento, localizados na parte externa dessa máquina que pulsa. Revestido por camadas firmes e aveludadas, composta por pelos que nos protegem e enfatizam nossa natureza.
Meu corpo, nosso corpo, seu corpo.
Uma sinfonia de nervos que se encontram e marcham na aventura de sempre serem vivos e ativos.
Uma máquina singular que não tem hora certa pra parar de funcionar, mas que faz o possível pra sustentar toda essa nossa inquietude de ser e se encontrar dentro de cada um de nós.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Past.


Quero saber o caminho de volta, enxergar outra vez os sorrisos que outrora me fizeram tão bem, poder falar alto seu nome, sem me preocupar se vou te ver na semana que vem.
Lembro como se fosse ontem, tantos assuntos enrolados em nós dois, brincadeiras e conversas jogadas ao vento, como se por pouco tempo todo o mundo coubesse numa só frase.
Quase sempre um cigarro ocupava a sua boca, estando na maioria das vezes imerso em um fedor persistente de nicotina barata. Lembro até do jeito em que tragava e posicionava o cigarro entre os dedos, jogando sempre as bitucas no chão.
Nosso canto era bagunçado como nossas cabeças, cheios de sonhos e planos que terminavam esquecidos depois da décima taça de vinho.
Não me tornei aquela rebelde ativista colecionadora de gatos como você tanto falava, mas penso que não demora.
Às vezes me pego pensando em no que você se tornou, se alguma hora do seu dia pensa em mim ou nas diversas situações que nos uniam. Na maioria das vezes é doloroso relembrar, deixar tanto sentimento amadurecer assim sem ter alguém para colher é no mínimo angustiante.
Uma vez juramos amor eterno, chegando ao extremo do companheirismo e lealdade, sabíamos bem que não se jura nada, mas mesmo assim o fizemos.
Dois tolos.
Hoje esse juramento perdura por outros caminhos e corações, relutando a cada palavra seguida dele, transformando tantas outras amizades em pseudo eternos elos.
É difícil voltar ao passado e caminhar por esses becos escuros da mente, é complicado te ver, ouvir sua voz, mas não poder ocupar mais o mesmo espaço que o seu.
Sei que tudo isso sempre será passageiro, que uma vez ou outra vamos nos esbarrar por aí, mas tem dia que o desespero nos pega de jeito e definitivamente não tem como fugir.
Tem momentos que gostaria muito que estivesse aqui.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Estou grávida!


Estou grávida
Grávida de efeitos colaterais
De prazeres descartáveis
Dores
Desengano
Estou grávida
Grávida de um monstro
Monstro  esse que grita
Chora
Antes mesmo de sair
No fundo já sente
Já se alimenta
Já sabe o que estar por vir
Estou grávida
Grávida de sentimentos
De emoções
Invasões
De experiências que nunca vou parir.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Ilusão - Parte 1


Ilusão!
Parte 1

Veio em minha direção, passos lentos, respiração ofegante. Seria, talvez, alguma projeção criada pela minha mente doentia? Creio que não! De longe dava pra sentir o calor que seu corpo transmitia, seu cheiro emanava pelo ar, alcançando minha respiração e se misturando ao ar que saía pela minha boca. Via-me preso novamente aos meus pensamentos, cercado outra vez por sombras e vozes que não me deixavam em paz.
Talvez essa fosse a hora de correr, se mudar para um lugar onde a presença daquela jovem não me perturbasse tanto. Mas como posso pensar assim? Como posso desejar que isso venha a acontecer? Se a imagem dela está totalmente presa a minha alma...
Não tenho pra onde fugir, nem pra onde esconder, essa é a triste verdade. Poderia eu me entregar a esse desejo que me dilacera? Poderia eu esquecer que existe um alguém que me impede de seguir adiante? Poderia eu deixar de lado todo esse amor que me fulmina por dentro? Poderia...por que não? Mas existe algo de piedade em seus olhos, algo que se desmancharia em lágrimas ao ouvir certas palavras.
Não posso e nem quero magoar um anjo!
Ainda tenho o calor do seu corpo marcado em meu peito, e isso ás vezes me basta. Isso ás vezes me distancia da idéia louca e desvairada de me declarar.
Mal sabe ela que sua existência me inspira a viver, e que o rosto dela é a única imagem que me vem à cabeça a cada amanhecer.
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